quarta-feira, 29 de outubro de 2008


Atitudes

"Atitudes são posturas internas. "Como" me coloco internamente diante das situações e de outras pessoas. Os vícios e virtudes são, em primeiro lugar, atitudes. Se coloco o nariz para cima ou para baixo, por exemplo. Se tenho um coração grande ou pequeno. Se tenho "abertura" para aprender ou se acho que já sei tudo que preciso saber. Se já desisti de mexer em minha mala porque tem muita coisa lá dentro que não consigo tirar, nem transformar. Desistir é uma atitude. Ir em frente depende de outra atitude."
Ken O'Donnell

Contentamento


“Todos amam o contentamento. Essa virtude tem a especialidade de ser preenchida de todas as realizações porque onde há contentamento não há nada faltando. Onde há contentamento outras especialidades vêm e por isso há sempre vitória. As situações externas continuam a mudar, mas o poder do contentamento precisa continuar e aumentar. Seja qual for a situação, aquele que é contente é capaz de mudar cada cena com o estágio de ser um observador desapegado.”
site da Brahma Kumaris

domingo, 26 de outubro de 2008

Janusz Korczak: Como amar uma criança...


Rafael F. Scharf
Vice-Presidente da Associação Internacional Janusz Korczak da Inglaterra

A vida de Janusz Korczak é tão tocante que, ao contá-la, é necessário evitar a ênfase patética que se impõe, a fim de permanecer-se fiel àquele sobre o qual falamos.

Ele era, na mais profunda acepção do termo, um homem simples, toda afetação lhe era estranha. É certo que ele não imaginava que seu nome seria célebre, e é por isto que cada vez que o glorificamos publicamente, inaugurando um monumento em sua homenagem, eu me pergunto qual seria o seu comentário se sua boca de pedra pudesse falar.

Sua história foi recontada inúmeras vezes e continuará sendo, porque ela mostra melhor, sem dúvida, não importando o caso particular, o horror inexprimível da última guerra e a exterminação dos judeus poloneses.

Em 5 de agosto de 1942, durante a liquidação do gueto de Varsóvia, os hitleristas ordenaram o agrupamento das crianças do orfanato de Korczak e o envio das mesmas ao campo de morte de Treblinka. O ‘Velho Doutor’ reuniu duzentos pupilos, os fez colocar-se sabiamente em fileiras e, à sua frente, partiu com eles para o ‘Umschlagplatz’, no cruzamento das ruas Stawki e Dzika, onde todos foram colocados em vagões de carga e enviados para os fornos crematórios.

Esta marcha nas ruas do gueto foi vista por algumas centenas de pessoas, e a silhueta pequena de Korczak dirigindo-se para seu calvário, inconsciente de seu heroísmo, fazendo aquilo que lhe parecia evidente, excitava as imaginações. A novidade espalhou-se imediatamente, repetida de boca em boca com a força de detalhes inventados: que Korczak carregava nos braços os dois menores, coisa pouco provável, porque ele mesmo estava doente e tinha dificuldades em andar; que o ‘Jundenrat’ tinha intervindo no derradeiro momento e tinha despachado em seguida um mensageiro atrás da fila, portador de um salvo conduto somente para Korczak, que foi por ele rejeitado com desprezo; que para apaziguar as crianças ele tinha lhes dito que iam em excursão e que eles, confiantes, o seguiam sem choro e sem protesto. Mas nenhum embelezamento é necessário diante dessa verdade nua e crua; não é preciso ajuntar qualquer coisa para torná-la mais eloqüente. A antítese do espírito e das dificuldades é clara e definitiva: um homem sábio por excelência, desinteressado e bom, opondo-se aos covardes, bárbaros obtusos, que se mostravam sob seu aspecto mais satânico.

Entre os milhões de mortes anônimas, a de Korczak tem um grande significado. Nos campos e guetos, ele se tornou para muitos, uma inspiração, pois aí o que mais ajudava a sobreviver era a convicção obstinada e indestrutível que a dignidade humana poderia vencer , embora tudo parecesse provar o contrário.

A imprensa clandestina dos campos mostra bem o quanto esta derradeira caminhada sublime do Velho Doutor foi um reconforto e uma dose de ânimo para seus contemporâneos. A partir daí sua glória tem crescido e o mundo fez de Korczak um símbolo moral.

É preciso que nossa atenção à sua morte não obscureça o caráter de sua vida. Henryk Goldszmit (este era o seu verdadeiro nome – Janusz Korczak foi um pseudônimo tirado de um romance pouco conhecido de Kra Szewski) nasceu em Varsóvia há pouco mais de cem anos numa família abastada. O fato de seu pai ter sido um advogado conhecido e seu avô um médico mostra até que ponto o seu meio foi assimilado. Ele cresceu na solidão, preservado das influências do exterior, sem se dar conta de que era judeu e sem saber o que isso significava. Antes de terminar a escola ele perdeu o seu pai, atingido por uma doença mental. A miséria sucedeu a abundância. O jovem Henryk tomou sobre si, da maneira como pode, o encargo de sua mãe e irmã, e nos anos seguintes, freqüentemente passando fome, estudou medicina com enormes dificuldades. Quando, por fim, obteve seu diploma, as coisas começaram a melhorar, contribuindo também para isso sua reputação de escritor que se afirmava. Mas isto não durou muito tempo. Repentinamente um tipo de necessidade interior mudou completamente seu destino.

Com trinta e quatro anos ele abandonou o exercício da medicina para se ocupar de um orfanato, que do início ao seu fim, permaneceu associado ao seu nome. A idéia fixa de consagrar sua vida às crianças parecia possuí-lo. Ele não era um idealista ingênuo; o que o caracterizava era uma compreensão extraordinária da criança e a convicção da necessidade de lutar pelos seus direitos no mundo governado pelos adultos. Ele não tinha confiança no mundo governado pelos adultos, mas como cada verdadeiro reformador ele julgava que mesmo uma só pequena vela acesa valia mais que lamentar-se de escuridão. Sua intuição não excluía sua sensibilidade e ela está edificada sobre uma observação constante, clínica, poder-se-ia dizer, sobre um estudo minucioso dos fatos. Totalmente absorvido por sua única idéia, não havia lugar nele para tudo que os outros davam tanta importância – dinheiro, a celebridade, um lar, uma família.

Seu orfanato, construído e mantido exclusivamente graças às doações de pessoas caridosas, era destinado às crianças dos bairros pobres de Varsóvia. A obtenção de fundos para fins de caridade tinha então, como hoje, seu aspecto desagradável, que freqüentemente irrita aqueles que dela dependem. Korczak balançava a cabeça em desaprovação perante o preço do material gasto para encerar o assoalho antes de um baile de benemerência e ele se lamentava do tempo que perdia com quem vinha visitar o orfanato. Mas a força de sua personalidade fazia que os doadores considerassem uma honra o financiamento de seu trabalho.

No domínio da educação e da psicologia da criança, ele era um pensador pragmático original e, ao mesmo tempo, um pioneiro de princípios que serviam de modelos para outros. Ele se esforçava constantemente de refazer seu sistema baseado sobre a compreensão das necessidades mais profundas da criança. Sua influência se exercia tanto por sua presença direta quanto pelo que escrevia no jornal do orfanato preparado pelas crianças e destinados à elas mesmas; a leitura em comum dessa publicação era um acontecimento semanal dos mais importantes. Conta-se que ao longo de 30 anos de seu trabalho intenso, ele jamais deixou de fornecer um artigo por semana à redação. As regras do orfanato eram seguidas por um código, cujo parágrafo 1000 previa como a pena mais alta, a expulsão pura e simples. Cada criança que tinha reclamação contra outra tinha o direito de a fazer comparecer perante um tribunal composto por seus colegas. Korczak mesmo, se tivesse sido convocado, teria de se apresentar perante este tribunal e de se submeter a sua sentença.

À noite, após uma ronda em todos dormitórios, o Velho Doutor retornava ao seu quarto no sótão, a única ‘casa’ que ele teve durante toda a sua vida adulta, e lá, até tarde da noite, ele colocava ordem em suas notas e escrevia.

Ele era um escritor fecundo tanto no seu domínio profissional quanto, e antes de tudo, na sua criação para as crianças e sobre as crianças. Seus livros ilusoriamente simples nas suas formas e conteúdos, impregnados na mesma proporção de melancolia e humor, refletindo seus anseios interiores, muitas vezes satiricamente áspero em relação a sociedade, sempre cheios de emoção e compreensão, deixavam traços duráveis na memória de seus leitores jovens e velhos, destinando-se a ficar gravados na história da literatura desse gênero.
Lá pelos meados dos anos trinta Korczak envolveu-se em dois empreendimentos na Palestina. O que ele aí viu o comoveu e o refrescou espiritualmente. Sob o encorajamento de numerosos amigos e antigos discípulos ele começa então a pensar seriamente em fixar-se lá para sempre. Mas havia obstáculos. O que o atormentava sobretudo, era o medo de não encontrar um sucessor adequado para continuar seu trabalho em Varsóvia. Ou seja, o pensamento de se afastar de sua terra natal lhe era insuportável. Nas cartas que ele escrevia aos seus amigos para explicar as causas de suas hesitações ele invocava o ‘seu Vístula’ e ‘sua Varsóvia bem-amada’, das quais ele jamais se consolaria se tivesse que deixar. Além do mais, ele estava sem dinheiro e hesitava em se colocar dependente de qualquer um.

Quando os hitleristas fecharam os judeus de Varsóvia dentro do gueto, o orfanato perdeu sua casa à Rua Kruchmalna, do lado ‘ariano’, e transportou-se para locais provisórios, no interior dos muros do gueto. Naquele momento Korczak já percebia melhor que a maioria das pessoas que a máquina impiedosa os mataria a todos. Mas ele pensava em não renunciar ao seu direito de aliviar os sofrimentos. Alquebrado e doente, cada dia ele reunia as forças que lhe restavam e partia à procura de viveres e de medicamentos para as crianças. Às vezes ele não trazia nada de suas buscas obstinadas, outras vezes ele voltava somente com uma ínfima parte do necessário. Ele não temia solicitar com impertinência, de mendigar, de envergonhar as pessoas que se esquivavam de sua nobre ação. Nos dias em que ele nada encontrava ele não hesitava em dirigir-se mesmo aos piores especuladores e opressores judeus. Apesar de fome incessante cada vez mais insuportável e às doenças sempre mais freqüentes, ele cuidava para que seu orfanato funcionasse normalmente, a fim de que seus alunos pudessem sentir-se bem. Freqüentemente ele trazia dos locais mais distantes uma nova criança encontrada na rua, no fim de suas forças, para quem a bondade do Velho Doutor significava a salvação durante algum tempo ainda.

Nestas condições rigorosas levadas ao extremo e que em tempo normal é difícil de se imaginar, nós temos em Korczak, no seu trabalho cotidiano, um exemplo do que pode fazer um genuíno homem guiado pelo amor.

Sua vida é um modelo e somos tentados a ver nele, nesta silhueta franzina revestida de avental de inspetor que ele usava habitualmente, um exemplo típico de toda uma geração, uma encarnação da ‘idade da criança’. Sua grandeza, que consistia nem mais nem menos em fazer seu dever, podia ser aquela de qualquer um, e mesmo sua morte trágica foi uma coisa comum, lá onde o martírio estava na ordem do dia.

Durante o ‘Ano Korczak’, instituído pela UNESCO para celebrar o centenário de seu nascimento, os escritores, os sábios, as pessoas de boa vontade em todas as partes do mundo, procuraram enriquecer-se com o conhecimento desse homem e de suas idéias, de sua vida e de sua morte, através de livros, de artigos e simpósios.

É de se supor que graças a isto, numerosos são aqueles que tomaram conhecimento do seu nome e do que ele significa. Sem dúvida é na Polônia e em Israel que ele é mais conhecido. Mas, nesse mundo barulhento e apressado de hoje em dia, a lembrança empalidece rapidamente. A despeito de todos os esforços ela desaparece progressivamente, sob uma massa de outros negócios. Aqueles que amam Korczak e que crêem na força de seu exemplo sentiam que era necessário encontrar um modo mais concreto de imortalizar sua figura e suas idéias. Assim souberam com alegria que uma obra grandiosa seria realizada na Polônia com a aprovação e a sustentação financeira do governo: um Instituto Científico de Proteção e Educação Janusz Korczak.

Foi-lhe destinado um espaço deslumbrante de uma centena de hectares lá onde Vístula – o Vístula bem-amado de Korczak – contorna a localidade de Lomianski. O projeto já está pronto.

É um empreendimento magnífico que levará seu nome. Não uma estátua de bronze ou de mármore, mas um centro cheio de vida, para onde virão crianças de perto e de longe, onde elas crescerão, se instruirão, se divertirão juntas, próximas à natureza, numa atmosfera de compreensão e boa vontade para com todos. Os educadores e os professores aí se reunirão para aprender observar, para participar das experiências de trabalho com as crianças e os adolescentes, para aproximar-se da realização dos sonhos de Korczak, mesmo que isso seja um passo apenas para um mundo no qual as crianças possam viver felizes.

É um empreendimento magnífico que levará seu nome. Não uma estátua de bronze ou de mármore, mas um centro cheio de vida, para onde virão crianças de perto e de longe, onde elas crescerão, se instruirão, se divertirão juntas, próximas à natureza, numa atmosfera de compreensão e boa vontade para com todos. Os educadores e os professores aí se reunirão para aprender observar, para participar das experiências de trabalho com as crianças e os adolescentes, para aproximar-se da realização dos sonhos de Korczak, mesmo que isso seja um passo apenas para um mundo no qual as crianças possam viver felizes.

Comida para o pensamento


Barbara Ramsay reflete sobre o que é bom na alimentação e melhor ainda na dieta

O aviso “Leia sempre as entrelinhas”, usado para referir-se a hipotecas, contratos e negócios importantes, serve agora também para caixas de cereal, enlatados e garrafas de suco. Gastamos tempo nos supermercados examinando as etiquetas, tentando decifrar códigos estranhos com números e procurando coisas que sejam “poli” ou “mono” ou “des”. Quando Linus se recusou a comer o seu sanduíche de pasta de amendoim e Lucy perguntou por que, ele olhou para ela com horror e disse: “Olhe para a etiqueta no frasco. Essa coisa tem ingredientes demais!”.

As autoridades que cuidam dos alimentos têm muito o que responder. Eles dizem que nós não deveríamos comer laticínios, pois causam muco. Os vegetais não têm problema, mas cuidado com a famigerada berinjela. Ela tem a mesma estrutura celular das células cancerosas. Um tomate? Bem, ele é parte da família da beladona. Sigam a dieta de Pritikin e vocês comerão muitos grãos antes do meio-dia. Seja macrobiótico e você não comerá quase nada mais o dia todo. “Viva principalmente de frutas, mas sempre as cozinhe”, dizem. Mas há também aqueles que dizem: “Viva principalmente de frutas, mas nunca, em nenhuma circunstância, cozinhe-as”.

E não é apenas o comer que é perigoso. Beber é igualmente complicado. Chocolate, afinal de contas, é feito de leite. Café? Você deveria dizer “arsênico”. Chá é pior do que café, pois não contém apenas cafeína, mas também ácido tânico. Refrigerantes não têm ácido tânico, mas certamente têm cafeína. Eles também têm açúcar, exceto o tipo “diet”, que são mini-fábricas químicas à procura de um estômago para poluir. Os sucos deveriam ser espremidos na hora, senão não têm absolutamente nenhum valor nutricional e, pelo amor de Deus, não beba suco com nenhuma outra coisa. Claro, há ainda a água, mas a da torneira está cheia de coisas terríveis... E a que borbulha das fontes – bem, quem sabe o que contém a terra hoje em dia? Há ainda a água mineral, mas de fato os minerais não são realmente bons para você. Escute tudo isso e você acabará vivendo de água destilada e maçãs derrubadas pelo vento... e não estou tão certa com relação às maçãs.

Ainda há a questão vegetariana, um assunto que tem causado longas discussões com amigos. Para mim, quando minha filha era pequena e cantávamos “Mary tinha um carneirinho” e depois havia costelas de carneiro para o jantar, isso se fixava na minha mente e não saía. Mas... se eu disser que não como nada que pensa, ou que seja consciente, grandes debates surgem cheios de fatos sobre as cenouras que gritam quando você as corta, e outras questões, por exemplo, de “como você pode provar que um peixe pensa?”. Para evitar o problema, apenas diga “não como nada que tenha uma cara”. Não importa quais sejam as nossas escolhas alimentares ou opiniões, com todos os fatos e números, especulações e investigações, alguma coisa muito importante é sempre deixada de lado.

A comida alimenta não só o estômago e nutre não só o corpo. A comida também conforta o coração. Afinal, quantas mães oferecem um biscoito e também um abraço quando o filho cai? Quando a comida é dada com mãos amorosas, ela tem o poder de acalmar a criança que chora. Até mesmo quando somos adultos, o poder do conforto ainda existe aí. Em muitas culturas, quando alguém morre, há uma tradição dos vizinhos em trazer comida para a casa enlutada. Mais do que simplesmente permitir que os que estão de luto não tenham de cozinhar, o gesto significa “Eu me importo... eu estou aqui... depois disso, existe vida”.

As celebrações, também, sempre têm a comida em seu centro. Nós convidamos as pessoas para compartilhar uma refeição como sinal de amizade e celebramos os aniversários com um bolo. E o que é mais legal, caloroso e amigável do que fazer um doce para as pessoas com quem você se importa?

Sendo a vida o que é, há muitos regalos especiais para o palato, a barriga e o coração que nunca desaparecerão – não importa que sejam ou não bons para nós – e o mais importante são as coisas feitas à mão, por alguém que você conhece.

Claro, doces e biscoitos do supermercado ou jantares congelados e muitas outras coisas economizam o tempo das pessoas. Não é preciso ler receitas, nem passar um tempo extra na cozinha, nem lavar a louça depois. Mas mesmo que você os prepare cuidadosamente, com amor, eles nunca encherão a cozinha com os bons aromas do cuidado e aconchego culinários. Você não pode servi-los ainda quentes do forno e não pode assá-los junto com seus filhos.

Mas há ainda mais pontos a favor da comida caseira do que o sabor e o modo como cheiram. Mais ainda do que o ato de compartilhar. Embora seja verdade que “nós somos o que comemos”, é ainda mais verdade que “nós somos o que pensamos”, porque a mente humana é uma coisa poderosa. Poucas pessoas atualmente duvidariam de que nossas mentes enviam vibrações constantes, e essas vibrações afetam o mundo em que vivemos. É algo que as pessoas parecem ter percebido em um nível instintivo.

Uma vez, quando eu era pequena, lembro-me de ter ouvido minha mãe falar sobre uma briga e a atmosfera que essa discussão deixou. “Você podia cortar o ar com uma faca”, ela disse. Para minha mente de criança, isso era incrivelmente vívido. Eu quase podia ver o ar… grosso e um pouco pegajoso. Seria difícil andar contra um ar assim, eu pensei, e impossível correr ou pular. Por muito tempo, sempre que havia uma briga, eu olhava atentamente, procurando realmente ver o ar da sala, mas não tive de crescer muito para entender o que isso significava.

No tempo dos hippies felizes e dos “filhos da flor”, as pessoas diziam “boas vibrações, cara” ou “pesado”. Isso fazia sentido totalmente. Uma atmosfera cheia de antagonismos, ciúmes ou raiva é pesada e, de fato, cria uma sensação de que você quase pode cortar o ar com uma faca. Todos nós sabemos disso. Há inúmeros livros escritos sobre como usar os pensamentos corretos para criar sua própria vida, para transformá-la no que você quiser que ela seja. Todos concordam que os pensamentos são poderosos. Concorda-se que nossos humores podem afetar a atmosfera. E se nosso modo de pensar afeta as vibrações, também afeta a comida que cozinhamos. Todos os dias lidamos com vibrações que não podemos ver e ainda assim aceitamos completamente. Muitas dessas vibrações viajam distâncias incríveis e são captadas tão claramente e tão fortemente que chegam na forma de imagens e sons, claros o bastante para que todos vejam. A única razão pela qual não vemos a televisão como um pequeno cosmo, a única razão pela qual não a assistimos com ceticismo, é porque estamos acostumados a ela.

Com o clicar de um botão, a luz se acende, e nunca perdemos tempo pensando sobre como isso é impossível. De fato, se dependesse de nossa crença, provavelmente ainda estaríamos vivendo no escuro. Estamos acostumados a alguns milagres e outros são ainda simplesmente novos para nós.

Quando estamos cozinhando, nossas mentes estão trabalhando, as mentes fazem isso o tempo todo, não importa se queremos ou não. É isso que nossas mentes fazem. Quando estamos mexendo, enrolando e assando, estamos pensando, e o pensamento cria vibrações, não importa se queremos ou não, porque é isso que os pensamentos fazem. Se tivermos pensamentos positivos, então nossas vibrações são felizes, pacíficas e afetam a comida, afetando também as pessoas que comerão a comida.

Exceto nos lugares onde a sobrevivência é tão dura que a comida simplesmente mantém o corpo e a alma juntos, compartilhar a comida sempre é parte de momentos profundamente significativos... marcos na vida: o café da manhã do casamento, o banquete do batismo, a comida do funeral, o jantar compartilhado de ação de graças que celebra um compartilhamento mais antigo de comida entre duas culturas. Mesmo a palavra “comunhão” significa amizade e paz. Momentos profundamente espirituais utilizam a comida como moeda de passagem, não importa que seja no Ocidente, onde Cristo e seus discípulos compartilharam a Última Ceia, ou no Oriente, onde os adoradores recebem a comida que foi oferecida nos templos ou cozida na lembrança de Deus.

Os pensamentos são poderosos, e as vibrações criadas pelo que pensamos afetam a vida. Se nossos pensamentos forem cheios de negatividade, se cozinharmos quando estivermos com raiva ou chateados, corremos o risco, como em um conto da carochinha, de metaforicamente “engrossar o caldo”. Cozinhe com cuidado, cozinhe com amor e saiba que esse é um milagre sobre o qual você tem controle... um milagre que você pode fazer.

Está em nosso poder realizar esse milagre, como um presente, para as pessoas que comem o que cozinhamos. Está em nosso poder dar-lhes comida que contenha paz, amor, conforto e até mesmo um pouco de mágica. Nunca devemos nos esquecer de que, nas melhores receitas, o amor é o ingrediente secreto.

Barbara Ramsay é uma escritora freelancer de Melbourne, Austrália.

Já possuímos tudo que buscamos...


A autoestima significa beleza interior. Não é a beleza que vemos no espelho todos os dias, mas a beleza inata da alma. A beleza do caráter. A beleza. A beleza das nossas qualidades naturais. E o que mais buscamos durante a nossa vida inteira? Felicidade, Amor e Paz. Tudo o que fazemos é porque achamos que aquilo nos fará feliz. Mas o que procuramos? Amor nos nossos relacionamentos, paz na nossa natureza e felicidade no final de cada experiência. E onde essas três coisas podem ser encontradas? Não lá fora. O paradoxo desta busca espiritual milenar é que já possuímos tudo o que buscamos.
Mike George.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Tolerância


Muitas vezes, no nosso dia-a-dia, costumamos reclamar de algumas pessoas que nos atendem em lojas, supermercados, ao telefone, enfim, as pessoas que nos atendem de alguma forma. O que não nos damos conta é que também estamos entre essas pessoas. E que, como elas, também estamos nos relacionando com várias outras pessoas.
Devemos pensar duas vezes antes de nos irritarmos. A irritação, a intolerância, fazem com que provoquemos males ainda maiores na sociedade que vivemos.
São os pequenos desentendimentos que geram os grandes conflitos da humanidade.
Por isso, não negue consideração e carinho diante de balconistas fatigados ou irritadiços. Pense nas provações que, sem dúvida, os atormentam nas retaguardas da família ou do lar.
A pessoa que se revela mal-humorada, em seus contatos públicos, provavelmente carrega um fardo pesado de inquietação e doença.
Aprender a pedir um favor aos que trabalham em repartições, armazéns, lojas ou bares é obrigação.
Embora estejam sendo pagos para cumprir suas tarefas ou sejam subordinados a nós são seres humanos como nós mesmos.
Lembre-se que todas as criaturas trazem consigo as imperfeições e fraquezas que lhes são peculiares, tanto quanto, ainda desajustados, trazemos também as nossas.
Muitas vezes, nós mesmos, atormentados por algum problema a resolver, tratamos mal alguém que nos venha pedir um favor com delicadeza.
O que aconteceria se essa pessoa também nos tratasse mal; ficaríamos ainda mais irritados. No entanto, se essa pessoa, apesar da nossa má-vontade, nos tratasse bem, com cortesia e gentileza, pensaríamos melhor no que estamos fazendo, podendo até mudar de atitude.
Em muitos casos, o que nos falta é um pouco de tolerância.
Ter tolerância é ter paciência e saber entender os problemas alheios.
A tolerância deve ser aplicada indistintamente entre todos e em qualquer lugar. É lição viva de fé e elevação e não pode ser esquecida.
Tolerar, no entanto, não significa conivir. Desculpar o erro não é concordar com ele. Entender e perdoar a ofensa, não representa ratifica-la, mas sim ser caridoso e compreensivo. É indispensável não entrar em área de atrito, quando puder contornar o mal aparente a favor do bem real.
Perdoe as ofensas e tente entender os problemas alheios sem julga-los preconceituosamente.
Faça aos outros o que gostaria que fizessem para você.
Seja uma pessoa amistosa para com todos. Contribua sempre com um pouco de amor para vencer o mal do mundo. Pense nisso!
Tolerância é caridade em começo. Exercitando-a, em regime de continuidade, você defrontará com os excelentes resultados do bem onde esteja, com quem conviva.
Fonte: Equipe de Redação do Momento Espírita, com base nos livros Sinal Verde, cap. 14 e Convites da Vida, cap. 56, ed. FEB.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Um passo apenas


Não importa há quanto tempo você esteja andando para o Norte, com apenas um passo você é capaz de andar para o Sul.
O que é preciso para dar uma volta de cento e oitenta graus na sua vida? Apenas um passo.
Você está apenas um passo de uma dieta mais equilibrada, a um passo de melhorar suas finanças pessoais, a um passo de ser um profissional muito melhor, a um passo de ter um relacionamento mais gratificante.
Daqui a um minuto, seus piores problemas podem estar todos atrás de você, ao invés de estarem na sua frente.
Com apenas um passo, o melhor da sua vida pode ainda estar por vir, e não estar perdido em algum lugar do passado distante.
Num instante, todas as energias negativas na sua vida podem ser redirecionadas para alguma coisa positiva.
Apenas um passo é necessário para romper essa inércia, e dar à sua vida o rumo que você realmente gostaria que ela tivesse.
Ralph Marston

"Seja a mudança que você deseja ver no mundo."
MAHATMA GANDHI

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Comece bem o seu dia...

Quer começar bem o seu dia? Com o mesmo nome do título desta postagem Odair Zanella comanda de segunda à sexta, às 6:00h, um programa na rádio Boa Nova 1450 AM & 1080 AM de São Paulo. O programa traz boa música e a cada dia, o locutor nos traz temas diversos com grande sabedoria e beleza. É realmente maravilhoso. Quem não tem a oportunidade de ouví-lo na rádio, como eu, pode acessar o site da rádio Boa Nova, entrar no link "programação" e ouvir quantas vezes quiser! Fica aí a minha dica...
O link:
www.radioboanova.com.br/grade.php?iDia=1&sAcao=listar

Reflexão sobre o medo da morte...

O TEMOR DA MORTE

Por Ricardo Orestes Forni
“... a desinformação e as concepções erradas sobre a vida futura são responsáveis pelo temor da morte, ...” – Manoel Philomeno de Miranda.
A revista VEJA em sua edição de nº 2028, de 03/10/2007, traz uma reportagem sob o título "Despedida Feliz", com o seguinte conteúdo: “O professor de ciência da computação Randy Pausch, da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, tem 46 anos e um câncer terminal. Seu prognóstico é sombrio. Restam-lhe apenas alguns meses de vida. No último dia 18, Pausch despediu-se de uma platéia de 400 pessoas, entre alunos e colegas da universidade, com a palestra intitulada “Como viver os seus sonhos de infância”.
Conforme informa a reportagem, Pausch foi operado de um tumor altamente agressivo no pâncreas, tendo se submetido a uma operação e a tratamentos experimentais com uma vacina, quimioterapia e radiação diárias. Meses atrás o professor recebeu a notícia de que a doença voltara. Segundo ainda essa mesma reportagem, Pausch afirma o seguinte: “O mais curioso de tudo é que não estou deprimido. Tampouco estou negando a doença – posso garantir que tenho plena consciência do que vai acontecer.”
A reportagem termina com a informação de que Randy Pausch resolveu morar na praia com a mulher e os seus três filhos, concentrando-se agora em deixar vídeos gravados para eles e fará uma despedida especial com cada um deles.
Manoel Philomeno de Miranda, no livro Temas da Vida e da Morte, psicografia de Divaldo P. Franco, 1ª edição da FEB, detalha as causas do medo da morte, dividindo-os em cinco itens: a) o instinto de conservação da vida, que constitui força preventiva contra a intemperança, a precipitação e o suicídio; b) a predominância da natureza animal que em “O Livro dos Espíritos” contém comentários de Kardec na questão de nº 941, quando afirma que “O homem carnal, mais ligado à vida corporal que à vida espiritual, tem, sobre a Terra, penas e gozos materiais; sua felicidade está na satisfação fugidia de todos os seus desejos.”; c) o temporário olvido da vida espiritual donde procede, o que, segundo Manoel P. de Miranda, esse esquecimento constitui motivo de receio da morte, em razão da falta de elementos que estruturem a confiança na sobrevivência, com o retorno ao mundo espiritual; d) o conteúdo religioso das doutrinas ortodoxas que oferece uma visão distorcida quão prejudicial do que sucede após a ruptura dos laços materiais, elaborando um mundo de compensações em graça como em castigo, conforme a imaginação dos homens vitimados por fanatismos e alucinações. Essa explicação levaria àquele que parte a um céu estático, contemplativo, indiferente para com aqueles que sofrem irremediavelmente, ou a um inferno eterno que seria a negação absoluta do próprio Deus que ensina a amar e a perdoar sempre, não podendo, Ele mesmo, ao julgar seus filhos, não aplicar Seus próprios ensinamentos, destinando-os a um céu de inércia ou a um inferno de torturas sem alternativas. Esse posicionamento de extremos no momento da morte leva à profunda angústia aquele que está partindo em direção de uma dessas duas situações. Para exemplificar bem esse fato, lembremos da mãe que merecendo o céu das tradições religiosas, ali permanecesse contemplando um de seus filhos levado ao inferno eterno. Como ser feliz no “paraíso”? Que dose descomunal de egoísmo essa mãe teria de ser portadora para conseguir a felicidade presenciando o sofrimento sem fim do filho amado condenado irremediavelmente!
Por fim, a última causa levantada pelo autor espiritual no livro citado: o receio de aniquilamento da vida, principalmente quando crêem que no cérebro físico esteja o autor dos pensamentos e nos órgãos materiais a única condição de se poder existir. Conforme coloca Manoel P. de Miranda, o homem deve pensar na morte conforme pensa na vida, porque cada dia que passa no calendário terrestre, adicionando-lhe tempo à existência física, é-lhe um a menos que o aproxima do portal da morte (destacamos).
Trocando em miúdos, a morte é a única certeza da vida. Se assim é, utilizemos a sugestão de Kardec na questão 941 do L.E. : “ O homem moral, que se eleva acima das necessidades fictícias criadas pelas paixões, tem, desde este mundo, prazeres desconhecidos ao homem material. A moderação dos seus desejos dá ao seu Espírito a calma e a serenidade. Feliz pelo bem que fez, não há para ele decepções, e as contrariedades deslizam sobre sua alma sem deixar aí impressão dolorosa.”
Para conseguir esse intento, deixamos as sugestões do Espírito Manoel P. de Miranda: “Substituir o medo pela expectativa de como será a vida mais tarde, substituir a incerteza pela conscientização do prosseguimento espiritual, deve ser um programa bem elaborado para ser vivido com tranqüilidade, no dia-a-dia que faz parte do seu peregrinar evolutivo.”
Estamos desenvolvendo esse programa?
Fonte: Revista Internacional de Espiritismo - Fevereiro / 2008.
jornalismo RBN

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Uma batalha de Luz e Trevas

15/02/2008

Obsessores – Uma Batalha de Luz e Trevas

Por Alex Alprim
Existe uma intensa atividade permeando o universo físico e o espiritual. Forças e energias espirituais influenciam a vida dos encarnados, muitas vezes de forma negativa, provocando comportamentos e atitudes negativas, criando uma atmosfera densa de ódio e desespero. Esses espíritos ligados aos vivos e distantes da grande Luz Divina, vivem só para isso. Estamos falando dos obsessores.
Obsessão: substantivo feminino. 1 – Diacronismo: antigo. 2 – Suposta apresentação repetida do demônio ao espírito. 3 – Apego exagerado a um sentimento ou a uma idéia desarrazoada. 4 – Ação de molestar com pedidos insistentes; impertinência, perseguição, vexação.
Se pudéssemos enxergar o mundo espiritual como vemos o universo físico, perceberíamos um grande número de espíritos passando por nós a todo instante : em nossas casas, no trabalho e nas mais diversas atividades, tanto interagindo como atuando junto ao mundo dos encarnados.
Na Terra, existe um sem-número de forças espirituais, e nem todas com “boas intenções”. Na verdade – segundo a literatura espírita obtida até os dias atuais por meio de psicografias, mensagens e contatos mediúnicos – o plano de evolução espiritual em que se encontra nosso planeta o leva a ser um local de expiação, no qual se concentra um grande número de espíritos vibrando nas baixas freqüências.
Esses espíritos vivem imersos em correntes energéticas e emocionais de ódio, raiva, egoísmo, amor não-correspondido, entre outras emoções, e estão de tal forma presos ao plano físico que muitos acreditam ainda estar em seus corpos carnais. Assim, vivem próximos das pessoas com as quais um dia conviveram, afastando-se dos planos espirituais mais elevados e atrasando sua reencarnação.
Entre esses espíritos, ainda existem aqueles que têm a consciência de que estão mortos e que não habitam mais um corpo físico; mas como ainda estão presos às vibrações mais baixas do mundo espiritual, realizam ações que visam prejudicar os vivos e atrapalhar ao máximo a vida e a evolução espiritual de suas vítimas encarnadas. Esses espíritos são os que chamamos de obsessores.
A Obsessão Nasce
Eles nascem de diversas formas. Sua sensibilidade à Luz Divina foi embrutecida pelo tempo e por sua natureza moral. Eles ficam estagnados num círculo vicioso e numa obstinação tão intensa que não é raro se esquecerem quando e por que tudo começou.
Na maioria das vezes, estão tão cansados e vivem há tanto tempo nessa condição que não sabem mais como caminhar em direção ao esclarecimento e à Luz de Deus, necessitando assim de toda ajuda que lhes possa ser fornecida.
É fácil para nós imaginarmos o surgimento de tais obsessões pelo caminho do ódio. Afinal, sabemos do que os homens são capazes quando tomados pela raiva descontrolada; mas também surgem obsessões, até mais graves, em virtude do amor. O amor gera correntes que, unidas a outros sentimentos (egoísmo, apego, carência afetiva intensa, falta de auto-estima), podem produzir obsessões.
A revolta, a dor, a raiva, podem mudar a energia do amor; basta que exista um grande apego alimentado por um forte egoísmo, gerado num coração que viva uma grande carência, e teremos um espírito que sentirá uma grande dificuldade de se separar dos entes queridos.
Como o amor e o ódio estão separados por uma barreira quase imperceptível, em algumas oportunidades, imaginamos que um espírito está com ódio, quando, na verdade, ele pode estar escondendo a dor de um amor não correspondido; ou até mesmo pode ser uma entidade que ainda quer manter o apego que tinha em vida, agindo de forma a manter a outra pessoa presa ao círculo de sentimentos que demonstrava quando o espírito estava encarnado.
De todas as formas de obsessão, a gerada pelo amor é a pior de todas, pois aquele que ama sequer pode imaginar ou aceitar que, na verdade, está atrapalhando seus entes queridos. Ele acredita estar ajudando-os, supondo que não poderiam viver sem sua presença e auxílio.
A relação entre o obsessor e suas vítimas é variada e segue por caminhos tortuosos, mas que inevitavelmente levam à degradação física e moral do obsedado, o que, por fim, pode levar à “vitória” do espírito obsessor. Entre as formas conhecidas de obsessão, vamos a seguir analisar as maneiras de ataque.
O Ataque das Trevas
Partindo do que observamos até o momento, percebemos que as obsessões são as ações que influenciam os vivos, estimulando reações e semeando a discórdia e o ódio, nascido da força exercida pelos espíritos inferiores. Eles influenciam maleficamente, como os demônios das histórias bíblicas, e assim como ocorre nessas histórias, as formas do obsessor atuar também são sutis e intangíveis, e só após muito tempo é que se tornam evidentes. Mas podemos dividi-las da seguinte forma:
Obsessão Simples
O espírito obsesso por meio da sua vontade, motivado pelos mais diversos sentimentos, exerce uma persistência férrea, tenaz, influenciando em todas as áreas da vida de sua vítima, provocando a ira de pessoas próximas, atrapalhando seus relacionamentos, atuando por meio de sugestões de pensamento que vão contra a forma habitual da vítima agir.
Na maior parte das vezes, com o auxílio da auto-análise e do bom-senso, a vítima afasta esses pensamentos “ruins” e retoma o controle da sua vida. E quando esse tipo de ataque é detectado, cabe ao obsedado confiar no caminho espiritual e fazer sua vida um exemplo de luz e de dedicação pessoal, pois dessa forma afasta a chance de novos ataques. Procurando praticar o bem, ele estará pautando sua vida de acordo com os ditames dos grandes mestres e livrando-se da ação do obsessor.
Fascinação
Esse tipo de obsessão é das mais difíceis de quebrar, isso porque a vítima não acredita que está sob efeito de qualquer força negativa. Na verdade, algumas vezes, ela julga que é a única que não está obsedada, enquanto todos à sua volta estariam.
Nesse caso, o espírito obsessor vai se inserindo discretamente e ganhando espaço na vida do obsedado; como uma planta daninha, vai se enraizando, plantando desconfianças e medos, manias e desejos, até o ponto em que se instala definitivamente. A pessoa estará de tal forma envolvida que quase se forma uma simbiose psíquica que, caso se concretize, tornará ainda mais complexa a situação.
Nesse caso, o bom senso e a autocrítica se esvaem e a pessoa precisa de uma intensa ajuda espiritual, do mais alto nível, para superar o assédio dessa força maligna. Às vezes, a obsessão leva a delírios nos quais o obsedado acredita ser uma pessoa com uma “missão divina”, e pode até perder a razão, tornando-se um esquizofrênico, afastando-se do convívio social e, com o tempo, precisando de ajuda psiquiátrica.
Subjugação
É uma forma de obsessão na qual a vítima encarnada está sob domínio completo de uma força desencarnada. Quando esse tipo de obsessão ocorre, vemos a pessoa apática como se estivesse sonâmbula, tendo vontades que estão em desacordo com sua personalidade, e até afastando pessoas próximas que a critiquem ou que questionem suas “novas” atitudes.
O espírito obsessor não toma o lugar do espírito encarnado no corpo do obsedado. O que ocorre é uma supressão da vontade da vítima, por meio da supremacia da vontade do obsessor. Embora seja facilmente detectável, a sua cura exige uma mudança vibracional no obsedado, o que envolve uma grande disciplina moral e a aproximação aos ensinamentos e dogmas da Doutrina Espírita, de forma que leve o espírito obsessor a compreender sua falta e buscar o caminho da Luz Divina.
Auto-Obsessão
Mas ainda existem aqueles que, mesmo desencarnados, estão obsedados; e o pior, por eles mesmos. Tais espíritos acreditam serem pessoas sem valor e não se perdoam pelos “erros” que acreditam terem cometido em vida.
Eles acham que jamais poderão receber a Luz Divina e reingressar na via reencarnatória, pois estão presos a uma neurose espiritual tão intensa que os cega a tudo à sua volta. Em grande parte das vezes, infligem a si mesmos os mais diversos castigos e, mesmo quando recebem a ajuda de outros espíritos e das almas iluminadas, eles argumentam que seus crimes são imperdoáveis e anseiam por “castigos” que possam “purificá-los”. Vivem acreditando que são indignos de qualquer perdão.
Mas a Luz Cura
Não existe como tratar a obsessão sem o apoio e o interesse de todas as pessoas envolvidas no caso. É necessário o envolvimento espiritual e pessoal para que tanto o obsessor quanto o obsedado se vejam livres das amarras que os prendem, de forma a alcançarem a luz e a liberdade.
Como a obsessão é um processo com profundas raízes espirituais, é preciso tomar cuidado e não agir solitariamente para debelar o problema. É sempre necessária a presença de um grupo considerável de médiuns, e o tratamento deve ser feito de preferência em um centro espírita ou outro local especializado nas práticas de curas espirituais.
A reunião para tratar tais casos tem características específicas, pois todos os esforços devem ser coordenados e deve-se agir com um grande senso de solidariedade e compaixão. Antes de começar o trabalho, é necessário definir o foco que será seguido, e todos deverão exercitar sua força de vontade de forma a que formem um só feixe de energia e de Luz Divina. O obsedado deverá ser assistido com práticas espirituais diárias, que sejam instrutivas e que lhe dêem um forte alicerce. Além disso, deverá praticar atos sadios e desenvolver novamente a sua força de vontade, quebrando as amarras e correntes que foram forjadas no universo espiritual.
A prece, mesmo que seja uma oração pessoal e singela, é de grande valor na prática da cura da obsessão. Ela deve ser acompanhada por meditações e pelo aprofundamento da vítima nos assuntos espirituais, pois isso lhe dará os recursos necessários para ir além e renascer para uma vida plena e livre das vontades obsessoras.
Deve ser dada igualmente uma especial atenção ao ambiente e ao lar do obsedado, o qual deve ser limpo das manifestações dos espíritos baixos, pois eles se manifestam com mais facilidade em ambientes sujos, malcuidados e com grande quantidade de energia negativa estagnada. Para melhorar esses ambientes é preciso livrar-se de plantas velhas e doentes, de coisas quebradas, e deixar o ar ventilar em todos os cômodos, além de sempre fazer orações e preces em todos os locais da casa onde se sinta a presença de forças obsessoras.
A família é uma grande chave para a cura da obsessão. É ela que torna possível a recuperação do obsedado, que fortalece a vítima por meio da infinita energia do amor e lhe dá a chance de recuperar o controle sobre sua vida. Recomenda-se a todos seguirem a prática espiritual da prece e a leitura de material espiritual inspirador. Dessa forma, cria-se uma corrente fluídica positiva em torno de todos, gerando a elevação da freqüência vibracional dos espíritos em volta das pessoas que estão imersas na situação; assim, elas recebem cada vez mais força e energia desses espíritos iluminados, gerando um círculo virtuoso e próspero de amor e luz.
O processo obsessivo possui sempre raízes profundas, e a melhora do estado obsessivo varia em cada caso. Algumas vezes, não notamos sinais de melhora, pois cremos que tudo deve ser instantâneo, como se fosse um remédio engolido às pressas para uma dor de cabeça. Depois, quando se vê que a cura demandará semanas, e não dias, abandonam-se as práticas e surge a descrença quanto à eficácia da cura, buscando outros recursos para se ver livre do obsessor. Mas, não raro, tais caminhos apenas levam a mais dor e problemas.
A perseverança é a ferramenta principal para a libertação do obsedado, e ela é necessária para seguir o tratamento e atingir os objetivos e metas da plenitude, da paz e da liberdade. A Bondade Divina atende a todos mediante o empenho de cada pessoa, que e ela comunica ao universo, por meio de suas ações e dedicação, os caminhos e “atalhos” que lhe surgem à frente.
Além do que vimos anteriormente, existe uma ferramenta que é um dos recursos heróicos no combate à obsessão: é a chamada sessão de desobsessão. Essa sessão deve ser usada em casos extremos, quando tudo já foi tentado sem resultado e, pelos caminhos da humildade e da fé, mostra-se necessário ajudar alguém que sofre de tal mal.
Para tal é necessária a presença de um grupo de médiuns seguros, que exercitem a doutrina em todos os instantes de sua vida. Para o sucesso da sessão é preciso a tutela de um orientador que possua grande autoridade e uma intensa força de vontade, inabalável crença na Força Divina, a fim de se dirigir aos espíritos obsessores. Ele deve ser conhecedor do assunto, com prática e facilidade para expor a doutrina, e suas ações devem sempre ser o reflexo de suas palavras, não agindo com hipocrisia e tampouco se deixando levar pelo orgulho, pois ambas se tornam fissuras que prejudicam o trabalho espiritual da desobsessão.
Durante a sessão, ele deve agir procurando orientar, ensinar e esclarecer o obsessor quanto aos males que está praticando. Enquanto isso, todos os médiuns deverão se unir em um só coro espiritual de luz e oração.
Nessas reuniões – que devem ser feitas com um extremo cuidado e com preparo consciente por parte de todos – o obsedado não deverá estar presente, ficando em sua casa em meio a preces, leituras ou meditação, para auxiliar o trabalho. E a sessão deverá ser repetida ou retomada enquanto for necessário.
Concluída a conversão do obsessor, o ex-obsedado deve ser esclarecido quanto à necessidade de modificar os padrões de vida que o levaram àquela situação. Deve ser dito a ele tudo o que fez e que provocou tamanho caos. Não devemos poupar a pessoa, seja por sua sensibilidade ou por questões pessoais, pois assim estaríamos impedindo-a de crescer e evoluir espiritualmente.
Para evitar uma recaída, ele também deverá manter a disciplina desenvolvida durante a desobsessão, reforçando as suas defesas morais e espirituais, não deixando de tomar cuidado com suas ações e palavras, a fim de enriquecer sua vida espiritual e deixar as baixas vibrações para trás.
Fonte: Revista Espiritismo e Ciência - Volume 5 ou site: http://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/esp-ciencia/005/obsessores.html
jornalismo RBN

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O mundo pirou...será?


Escrevia sobre esse tema e deixei no rascunho para refletir um pouco mais sobre o nosso mundo tão caótico. Mas acabei apagando o que havia escrito, tinha sido no carnaval, e já havia se passado muito tempo. Mais continua a indagação: o mundo pirou, será?
Estou parando aos poucos de acompanhar os noticiários dos jornais, porque a gente vai ficando viciado em notícias catastróficas e que minam a nossa resistência. Principalmente depois da novela que se tornou o caso Eloá, do sobe e desce da bolsa de valores e a crise mundial e das constantes tragédias que têm assolado crianças, jovens e adultos. O mundo pirou?
Não! O mundo continua o seu curso. É só olhar pela janela, e se você ainda tiver o privilégio de ver a natureza, você constatará que os pássaros cantam, o Sol brilha, a chuva cai e o orvalho da manhã humidifica as flores e as plantas. Quem pirou foi a natureza egoísticamente humana. Estamos colhendo apenas o que vamos plantando e enquanto estivermos voltados apenas para a satisfação de nossos desejos pessoais, seremos arrastados para esse mar de lama e de esgoto. Pensamentos, palavras, atos ou ações sem reflexão descambam para tragédias, loucuras e sofrimentos. Por incrível que pareça e por mais absurdo que seja: -O MUNDO CAMINHA NO SEU CURSO NORMAL, POIS SÓ COM A EXAUSTÃO DA CARNIFICINA É QUE BUSCAREMOS A PAZ. Gandhi já dizia:
Não há caminhos que levem a paz a paz é o único caminho. Para mudarmos de atitudes e de pensamentos negativos, devemos esvaziar o lixo e colocar algo de novo no lugar.
Que tal preenchermos esse vazio com coisas boas, pensamentos de amor e de luz para o próximo e para nós mesmos? Em vez de se lamentar a todo momento, fazer algo em prol dos que precisam ou mesmo espalhar novas atitudes e pensamentos. O mundo não melhorará porque ele não está doente, ele não acabará, o que pode acabar é a nossa civilização.
Chega de reação:
-Vamos agir positivamente!
Mais amor, menos picuínhas, menos mesquinhez, menos ódio, menos imcompreensão, menos tagarelar, mais silêncio, menos inveja, mais contentamneto, menos vazio, mais preenchimento, menos ter e mais SER!
Paz e Luz para todos.

domingo, 20 de janeiro de 2008

A questão do aborto...


Aborto I
Richard Simonetti
1 – Todas as religiões condenam o aborto. E a Doutrina Espírita?
O Espiritismo também o situa como crime. Vai mais longe: demonstra as conseqüências do aborto, sempre funestas, envolvendo compromissos cármicos para a gestante. E também para aqueles que o estimulam ou favorecem – seus pais, o pai da criança, amigos inconseqüentes… Comprometem-se, igualmente, médicos e parteiras que o executam.
2 – O movimento feminista, que se bate pelo direito ao aborto, proclama que a mulher é dona de seu corpo e deve ter o direito de decidir se quer asilar um filho em seu seio…
Se levarmos esse raciocínio às últimas conseqüências deveremos admitir o infanticídio, racionalizando que a mulher tem o direito de decidir sobre um ser que gerou e pôs no mundo. Ninguém contesta que isso seria um absurdo, um crime inominável. E por que haveria de ser diferente, enquanto o filho ainda mora em seu ventre?
3 – Em nenhuma circunstância pode-se admitir o aborto?
Como já comentamos, na questão 359, de O Livro dos Espíritos, os mentores que orientavam Kardec advertem que só é admissível o aborto induzido quando há grave risco de vida para a gestante. Oportuno acrescentar: com a evolução da Medicina, dificilmente se configura, hoje, uma situação dessa natureza.
4 – O que acontece com o Espírito reencarnante, no aborto?
Como não se completou a reencarnação, tenderá a reassumir sua personalidade, o que era antes de iniciar o mergulho na carne. O Espírito menos desenvolvido mentalmente pode situar-se, transitoriamente, como um recém-nascido no mundo espiritual, entregue aos cuidados de familiares desencarnados ou instituições especializadas.
5 – Há mulheres que caem em depressão, após praticarem o aborto. Tem algo a ver com a influência do reencarnante?
Tratando-se de um ato que contraria as leis divinas, a gestante que praticou o aborto experimentará conflitos íntimos indesejáveis, nas sanções da própria consciência. Pode, também, sofrer represálias por parte do reencarnante, quando este venha a se revoltar com o fato de ter sido rejeitado e expulso.
6 – Quando ocorre o aborto espontâneo, podemos debitá-lo a um problema cármico, envolvendo o filho e a mãe?
Nada acontece por acaso. Pode ser a conseqüência de uma recusa à maternidade no pretérito, envolvendo, não raro, o aborto criminoso. Quanto ao filho, ele pode estar comprometido com o mesmo crime ou com o desvario do suicídio, colhendo agora a frustração do anseio de reencarnar, com o que aprenderá a valorizar a vida.
7 – E quando a mulher pratica o aborto, por recusar-se à maternidade? Sendo algo de sua iniciativa e não um problema cármico, como situar a ocorrência para o Espírito que reencarnaria como seu filho?
Se tiver um mínimo de esclarecimento, a encarará como um acidente de percurso, determinado pela imprudência daquela que deveria recebê-lo. Será uma experiência a mais, envolvendo frustrações próprias da Terra. Elas nos ajudam a amadurecer. Ao longo de múltiplas existências, conscientizam-nos de nossas responsabilidades e deveres.
8 – Se o Espírito tem compromissos com seus futuros pais e a necessidade de reencarnar, continuará tentando?
Provavelmente, com a colaboração de mentores espirituais que buscarão ajudá-lo a superar a resistência do casal. Não é difícil, por isso, que em sucessivos abortos criminosos encontremos o mesmo Espírito intentando retornar à carne e sendo rejeitado.
Do livro: Reencarnação: Tudo o que você precisa Saber

Aborto II



Após a fecundação do óvulo pelo espermatozóide o Espírito reencarnante é ligado ao embrião, constituindo um ser humano que habitará ventre materno por nove meses, protegido em sua fragilidade até que possa enfrentar o mundo exterior. O aborto situa-se, assim, como uma desencarnação.
Se natural, quando o organismo materno não consegue sustentar o desenvolvimento da criança, configura uma provação relacionada com infrações às leis divinas, tanto para os genitores, que experimentam a frustração do anseio de paternidade (acresçam-se na mulher os sofrimentos e incômodos decorrentes da interrupção da gravidez), quanto para o reencarnante, que vê malogrado seu anseio de retorno à carne.
Já o aborto criminoso configura um crime hediondo, nem sempre passível de punição pela justiça humana (em alguns países a legislação faculta à mulher o direito de arrancar o filho de suas entranhas, matando-o), mas inexoravelmente sujeito às sanções da Justiça Divina, a atingir não apenas a gestante, mas também os que direta ou indiretamente envolvem-se com ele (familiares que o sugerem e profissionais que o executam).
A mulher que assassina o filho indefeso na intimidade de si mesma, sob a alegação de que é dona de seu corpo, usa um sofisma materialista. Nosso corpo é um empréstimo de Deus para a jornada humana. Muito mais que direitos temos deveres vinculados ao seu uso. O primeiro é o de preservá-lo, utilizando-o disciplinadamente, com consciência de suas necessidades. O segundo é o de respeitar a vida gerada dentro dele, em obediência aos desígnios divinos, porquanto ao Criador compete decidir sobre os destinos da criatura.
A literatura espírita é pródiga em exemplos sobre as conseqüências funestas do aborto delituoso, que provoca na mulher graves desajustes perispirituais, a refletirem-se no corpo físico, na existência atual ou futura, na forma de câncer, esterilidade, infecções renitentes, frigidez...
Problemas dessa natureza, freqüentes na atualidade, demonstram com propriedade como está disseminada essa prática criminosa. Muitas mulheres chegam ao cúmulo de usar habitualmente substâncias químicas abortivas sempre que ocorre atraso menstrual, sem cogitar se estão grávidas. Semeiam aflições que fatalmente colherão...
No aborto natural o Espírito retorna à Espiritualidade sem maiores problemas. Bem tênues são os laços que o prendem ao corpo, não apenas por se tratar de início do processo reencarnatório, mas também em face do mal determinante do desencarne, que o situa como paciente terminal.
Consumada a desencarnação, o Espírito poderá reassumir sua personalidade anterior, voltando ao que era, com acréscimo da breve experiência. Se não detiver suficiente maturidade mental para isso, permanecerá na Espiritualidade como um recém-nascido, à espera do concurso do tempo, que o habite a retomar a consciência de si mesmo, ou preparando-se para novo mergulho na carne.
No aborto criminoso a situação é mais complexa. O Espírito sofre o trauma provocado pela morte violenta, embora amenizado pelo fato de não estar comprometido com os enganos do mundo. Tratando-se de algo não programado, fruto da irresponsabilidade dos pais, sua frustração será maior.
A readaptação será semelhante à do Espírito vitimado pelo aborto natural. Considere-se, entretanto, que, se moralmente imaturo, sua expulsão poderá provocar nele acirrado rancor contra os pais, transformando-o em perseguidor implacável daqueles que recusaram conceder-lhe a oportunidade do recomeço.
Muitos males que afligem a mulher, após o crime do aborto, prolongando-se indefinidamente, não obstante os recursos da Medicina, nascem dessa influência.
Do livro: Quem tem medo da morte?

Exemplo de superação, exemplo de vida...

Quase 4 décadas vividas no Hospital das Clínicas
Vítimas da pólio, Paulo e Eliane moram em um quarto de 10 m2 do maior complexo hospitalar da América Latina
Emilio Sant?Anna
Enquanto o mundo parava para assistir ao americano Neil Armstrong se tornar o primeiro homem a pisar na Lua, em 20 de julho de 1969, um menino de pouco mais de 1 ano começava um longo caminho para manter-se vivo. Naquela noite, um grupo de médicos e enfermeiros do Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo reunia-se diante de um aparelho de TV preto-e-branco no quarto para acompanhar a façanha. Esse é o primeiro grande evento ocorrido desde a internação de Paulo Henrique Machado, hoje com 40 anos, o paciente mais antigo do maior complexo hospitalar da América Latina.Ali, no sexto andar do Instituto de Ortopedia, ele passou praticamente a vida inteira. Como milhares de outras crianças nas décadas de 50, 60 e 70, ele foi acometido pela poliomielite, que provoca paralisia às vezes fatal. Além do comprometimento nos movimentos das pernas, seus pulmões também sofriam. "O Velho Pulmão de Aço", como ele se refere ao aparelho usado na época, mantinha Paulo vivo.Foram três meses de seções na máquina - um cilindro de metal de quase 2 metros de comprimento - onde apenas a cabeça do paciente ficava para fora. A técnica, há muito aposentada, forçava os pulmões a se expandir criando uma diferença de pressão entre o interior do corpo e o interior do cilindro. Os pulmões de Paulo, no entanto, nunca se recuperaram totalmente e só funcionam hoje com a ajuda de um respirador artificial. "Não existe culpado. O destino simplesmente aconteceu dessa forma", diz. Como não havia possibilidade de receber o tratamento fora dali, sua permanência no hospital foi se estendendo. Órfão de mãe desde os 2 anos, ele foi se apegando a médicos e enfermeiros, que viraram sua família. Entre os pacientes que entravam e saiam da ala de vítimas da epidemia em que havia se transformado a paralisia infantil, um grupo de crianças foi se formando. Pedro, Anderson, Luciana, Cláudia, Tânia. Os sobrenomes perderam-se na memória de Paulo. As lembranças, não. "Passávamos o dia brincando, conversando e brigando." Os enfermeiros juntavam as camas e colocavam um pedaço de madeira entre elas, onde ficavam os brinquedos.A vida ia passando assim, em meio a médicos, exames e visitas que se tornaram cada vez mais raras. Um dia, em 1975, uma nova paciente chegou ao quarto de Paulo. Com menos de 2 anos, Eliane Zagui vinha de Guaíra, região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Seus pais, um funcionário de uma fundição e uma dona de casa, procuravam um atendimento médico que não existia em sua região. Quando chegaram ao HC, a pólio já havia tirado todos os movimentos do corpo da menina. Restavam apenas os da cabeça. O destino de Eliane foi o mesmo de Paulo: sessões no "Pulmão de Aço" para manter-se viva. Os órgãos dela também não voltariam a respirar por mais de algumas horas sem ajuda de aparelhos. Trajetórias semelhantes de duas pessoas que nunca mais se separaram. À medida que ficaram mais velhos, a vida no hospital foi ficando mais difícil. No início da década de 80, a adolescência trouxe para Paulo a descoberta da sexualidade e as primeiras paixões e, ao mesmo tempo, a revolta. "Não existe idade para sentir revolta, pode acontecer com 12 ou 90 anos", diz. "O que existe são fases de aceitação."A convivência com os amigos de quarto diminuía a angústia. Em 1982, apareceu por lá um certo João do Pulo - até então desconhecido para eles. A movimentação de policiais, repórteres e curiosos no instituto desvendou o mistério. Tratava-se de um dos maiores atletas do País. Recordista mundial no salto triplo, sofrera um acidente que lhe custara a amputação da perna direita.O episódio tirou as crianças da rotina. "Já que as visitas não vinham com tanta freqüência, chamávamos os policiais que passavam pela porta do quarto e isso acabou nos dando novas amizades", lembra Paulo. Quando João do Pulo começou a reabilitação, passava horas no quarto deles. "No dia em que foi embora, todos nós choramos."Em 1992, uma infecção respiratória atingiu um dos garotos. Não durou mais do que algumas semanas e, num domingo à noite, matou Pedro, aos 20 anos. Nos anos seguintes, os outros companheiros de quarto também foram morrendo. Anderson, em 1993; Luciana e Tânia, em 1994; e, finalmente, Claudia, em 1996. Em quatro anos, cinco pacientes que cresceram juntos estavam mortos. "Foi uma mutilação. Todos foram embora e me restou apenas o Paulo", diz Eliane. O mundo foi diminuindo para eles a ponto de parecer caber dentro de um quarto. A vontade de aprender abriu uma janela que eles não conheciam. A lembrança de Armstrong pisando na Lua parece ter influenciado toda a vida de Paulo. Do interesse pela ciência e o cinema nasceu o contato com o computador e a internet. Tornou-se fluente em inglês para compreender um mundo que o atraía. No quarto de pouco mais de 10m² em que moram hoje, a coleção de filmes de ficção - o quarto relançamento de Blade Runner ainda está na caixa - divide espaço com computador, televisão, videogame, aparelho de DVD e iPod.Enquanto os quadros de Eliane rodavam o mundo em exposições organizadas por uma associação suíça de pintores com a boca, o design gráfico tomava conta da vida de Paulo. Boa parte da renda dele vem do trabalho como web designer. Sonha fazer faculdade de Cinema e conhecer Carlos Saldanha, o brasileiro que fez as animações do filme A Era do Gelo. "Queria que visse meu trabalho e me desse conselhos." Além das exposições cada vez mais freqüentes e da intenção de terminar os estudos para fazer Psicologia ou Artes, o maior projeto de Eliane está guardado a seu lado: um livro sobre uma vida inteira dentro do HC. Ainda falta muito para ficar pronto, mas já tem nome: Pulmão de Aço.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

La langue française et ses définitions

Le Petit Larousse 2007 offre chaque année quelques mots dont la définition est revue et corrigée

ADMINISTRATION Mot féminin qui commence comme admiration et finit comme frustration. (Georges Elgozy)
AIDE AU TIERS MONDE Aide payée par les pauvres des pays riches pour aider les riches des pays pauvres. (Robert Burron)
AMI - AMIESe dit d'une personne du sexe opposé qui a ce "Je ne sais quoi" qui élimine toute envie de coucher avec elle.
AMOURMot en 5 lettres, trois voyelles, deux consonnes et deux idiots.
AUTO-STOPPEUSEJeune femme généralement jolie et court vêtue qui se trouve sur votre route quand vous êtes avec votre copine.
AVOCAT Seule personne qui écrit un document de 10.000 mots et l'intitule "Sommaire". (Franz Kafka)
BABY SITTER Adolescents tenus de se conduire comme des adultes, de manière à ce que les adultes qui sortent puissent se comporter comme des adolescents.

BAGNOLE Vieille auto dont toutes les pièces font du bruit, sauf la radio.
BANQUIER Homme qui te prête un parapluie par beau temps et qui te le reprend lorsqu'il commence à pleuvoir. (Mark Twain)
CAPITALISME Régime dans lequel l'homme exploite l'homme. En régime socialiste c'est l'inverse.
CONFIANCE Liberté que l'on accorde à une personne pour qu'elle fasse des bêtises.
CONSULTANT Celui qui retire la montre de ton poignet, te donne l'heure et te fait payer le service.
DANSE Expression verticale d'un désir horizontal.
DÉMOCRATIE Régime où tout le monde a le droit de dire que l'on est en dictature. (Georges Hahn)
DICTATURE Régime où tout le monde doit dire que l'on est en démocratie. (Georges Hahn)
DÉSILLUSION Sentiment ressenti lorsque le superbe postérieur ne coïncide pas avec le visage qui se retourne.
DIPLOMATE Celui qui te dit d'aller te faire foutre d'une telle façon que tu as très envie de commencer le voyage.
ÉCONOMISTE Expert qui saura demain pourquoi ce qu'il a prédit hier n'est pas arrivé aujourd'hui.

EXAMEN ORALÉpreuve d'admission de stagiaires à la Maison Blanche.
FACILE Se dit d'une femme qui a la même morale sexuelle que les hommes.
GARDE-ROBES Endroit où pendre ses vêtements quand il n'y a plus de poignées de porte disponibles.
JURY Groupe de douze personnes, réunies par tirage au sort, pour décider qui, de l'accusé ou de la victime, a le meilleur avocat.
MISÈRE Situation économique qui a l'avantage de supprimer la crainte des voleurs. (Alphonse Allais)
MARIAGE Union qui permet à deux personnes de supporter des choses qu'ils n'auraient pas eu besoin de supporter s'ils étaient restés seuls.
PARENTS Deux personnes qui aprennent à un enfant à parler et à marcher, pour ensuite lui dire de s'asseoir et de fermer sa gueule.

POINT G Point sensible de la femme situé quelque part entre les deux gros orteils.
POISSON Animal dont la croissance est excessivement rapide entre le moment où il est pris et le moment où le pêcheur en fait la description à ses amis.
PROGRAMMEUR
Celui qui résout un problème que vous n'aviez pas, d'une façon que vous ne comprenez pas.
PSYCHIATRE Homme intelligent qui aide les gens à devenir cinglés.
RICHESSE Seul moyen d'échapper à la misère. (Voir ce mot)
SANG-FROID Chose facile à avoir au mois de décembre.
SCOUT Petit gars habillé en niaiseux qui suit un grand niaiseux habillé en p'tit gars.
TOURISME Activité consistant à transporter des gens qui seraient mieux chez eux dans des endroits qui seraient mieux sans eux.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A raiz única e absoluta de todos os males humanos

O egoísmo é um defeito de caráter e está incrustado no âmago de todos os conflitos e males humanos. Ele representa a antítese do verdadeiro amor que é Deus (cf. 1 João 4,7-21). Eis algumas de suas manifestações: arrogância, prepotência, orgulho, omissão, comodismo, indiferença, falso espírito de bondade, religiosidade de fachada, acúmulo de bens e mais bens materiais, palavreado rebuscado, sacerdócio apenas de aparências, levar vantagem em tudo sob o disfarce de benfeitor (ex.: vide muitos políticos e homens públicos do nosso país), posse (postura estudada daquele que diz "sabe com quem está falando?"), etc. essas são apenas algumas das insídias malignas usadas por lobos em pele de cordeiro. Na verdade, portadores dessa doença da alma chamada egoísmo: segundo os dicionários, "excessivo amor ao bem próprio, sem atender ao dos outros". O antônimo desse flagelo que mata mais do que qualquer doença física, chama-se altruísmo: amor ao próximo, abnegação, filantropia, sentimento daquele que põe o interesse alheio acima do seu. Coisa raríssima de ser observada em nossos dias.


Sem a capacidade de amar, tudo que fizemos perde o sentido. "...o amor é paciente, benigno, não é invejoso, não é orgulhoso, não se envaidece, não é descortês, não é interesseiro, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça mas regozija-se com a verdade; tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba...No presente, permanecem estas três coisas: fé, esperança e amor, mas a maior delas é o amor" (cf 1 Coríntios 13, 1-13). Essa passagem nos dá o retrato da perfeição evangélica à luz da palavra eterna de Deus. Ser humano nenhum se encaixou ou se encaixa plenamente dentro de tais conceitos. Todos nascemos egoístas. Somente o amor desde a concepção, tem o poder de reverter esse quadro. A falta da capacidade de amar pode levar a sintomas tais como: retraimento, delírios, depressão, projeção, racionalização, paranóia, sentimentos de culpa, remorso, autopiedade, isolamento, ódio de si mesmo, apenas para citar alguns exemplos. A medicina, a religião e a sabedoria popular, desde muito tempo atrás, já sabem que as pessoas que são amadas e que aprenderam a amar desde tenra idade, dificilmente apresentarão tais distúrbios.


A pessoa egoísta, mesmo vivendo dentro de uma igreja ou denominação, é uma escrava do ego, porque ainda não conhece a si mesma, nem tampouco sabe o que venha a ser "conversão". A qual é, na verdade, uma mudança radical de rumo, somente possível no despojamento total de si mesmo e na adesão plena a Palavra de Deus.


O egoísmo é um saco sem fundo! A pessoa egoísta não consegue ser feliz porque só pensa em si mesma. A expressão a seguir retrata nuito bem essa assertiva: "Há bastante para todos. Mas não o suficiente para o egoísmo de um só". Isso porque, sendo doença espiritual e inata, "o eu" e o "meu" devem sempre prevalecer. Como contrabalançar a situação? A prendendo a amar. É isso, com a ajuda de Deus é possível em qualquer idade, sejam as quais forem os erros cometidos no passado. A medida que vamos aprendendo a amar, estaremos eixando que seja feita em nossa vida a vontade de Deus e não a nossa. Só a partir daí, passaremos a ter saúde e a ser felizes. Egoísmo gera fustração, que leva à raiva congelada ou a depressão. O desprendimento, proporcionado pela capacidade de amar incondicionalmente, gera felicidade e saúde mental e emocional. O indivíduo que não sabe amar, isto é, o egoísta, é incapaz de encontrar a verdadeira paz onde quer que vá. Se sentirá sempre incompreendido porque só sabe manipular os outros. Em toda a sua vida estará procurando o amor por caminhos tortuosos, controvertidos e inúteis. Poderá até mesmo fazer muitas coisas boas pensando que é amor, mas tudo para conseguir atenção e louvor. Procurará aventuras amorosas, mas tudo em vão. Porque estará apenas usando os outros e não se doando. E tome mais frustrações! E a culpa é sempre dos outros... Quando não leva vantagem em tudo e não consegue estar no comando, se decepciona com tudo e se enche de piedade. Tal pessoa sempre estará sofrendo, fazendo os outros sofrer e em conflito consigo mesmo e com os outros enquanto não se dispuser a aprender que o único caminho para conseguir amor é amando primeiro e sem condições aos outros. É este o caminho eterno de Deus: " Tudo que quereis que os outros vos façam, fazei o mesmo também vós a eles" (Mateus 7, 12 e Lucas 6,31)." Esta é a regra da Biblia, o livro dos livros e manual de instruções do Criador de todas as coisas. O Senhor também nos diz: "...eu hoje vos proponho a vida e a morte, a bênção e a maldição... e sugere; escolhe a vida" (Deuteronômio 30, 79-20).


Somos livres, mas nada muda se eu não mudar. Somente a renúncia santificante aos caprichos doentios do "eu", conduz o ser humano a um estágio de vida satisfatório. O único milagre realmente possível e viável é a mudança do coração pela aceitação, entrega a rendição à vontade soberana de Deus.


Nem toda pessoa infeliz é egoísta, mas todo egoísta é uma pessoa infeliz porque vive apenas para si mesmo.


P.S. É um direito da pessoa ser e continuar egoísta. Mas para aquele que tiver a humildade de reconhecer ser portador de um ou mais dos sintomas descritos e queira ser ajudado, existe ajuda gratuita. Basta ligar para Neuróticos Anônimos (N/A), tel.(21)2233-0220/2233-6053. Há um grupo perto de você. Todos são bem-vindos, independentes da religião que professe.


Esse artigo foi escrito pelo meu amigo Vamberto M. Souza. Foi publicado na Revista Unidade em Dezembro - 2006.


Sonho da vida longa...

Lendo uma chamada de um artigo no jornal, prontamente fiz uma conexão em minha mente. O sonho da vida longa. Todos buscam uma vida longa e ninguém ou quase ninguém quer morrer cedo. Falando em relação a média da expectativa de vida, ela realmente aumentou muito! E em relação a qualidade de vida. Será que também aumentou a qualidade de vida dos seres que vivem mais?
A longevidade não significa qualidade da vida e ela está relacionada a vários fatores, como a produtividade no trabalho, a questão da saúde tanto mental, quanto física e espiritual, da convivência com outras pessoas, etc.
A jornada de vida de uma pessoa é complexa e compreende várias questões ao longo de sua existência. Hoje, com o advento da tecnologia e de novas formas de interação humana, além da mudança do próprio ritmo de vida da população, podemos observar que estamos diante de uma nova perspectiva ou de um novo desafio para a humanidade.
Um ser plenamente feliz, possui relativamente um sucesso profissional e financeiro? Necessariamente não! O convívio feliz com os amigos, com os familiares ou com a comunidade é certamente mais importante para os seres humanos, pois somos seres sociais. A individualização cada vez mais latente, incentivada pelo próprio sistema capitalista, tem trazido diversos problemas para uma sociedade como a nossa que valoriza extremamente os jovens, deixando de lado os idosos que não posssuem mais a juventude, nem a beleza. A sociedade é de certa forma responsável por essa visão, principalmente porque ao longo da vida, são poucas as pessoas que adquirem com a vivência a maturidade e a experiência vivencial, principalmente porque passaram a maior parte de suas vidas buscando a sobrevivência e a criação de seus filhos. Os pais que ao longo de sua vida não buscaram a sua plenitude e enriquecimento como seres, no fim de suas vidas, não tem mais que oferecer aos filhos, pois não adquiriram sabedoria suficiente para serem passadas para os descendentes e para os membros de sua comunidade. Se não possuem rendimentos ou aposentadorias, são abandonados ou deixados num asilo e quando o possuem, só são lembrados nesses momentos.
Um alerta aos pais! Vocês não são apenas pais, são SERES EM EVOLUÇÃO, e precisam como os seus filhos de educação e atualização constantes! Não digo atualização profissional, mas sim vivencial, espiritual, pessoal. Os pais devem envelhecer apenas na idade e nunca nas idéias. Acompanhar o ritmo do mundo de hoje que caminha a largos passos é de extrema importância para que não nos tornemos seres antiquados e passados como um jornal velho.
Tive a graça de ter conhecido e convivido com uma senhora fantástica que era minha tia avó. Ela morreu com noventa e três anos, mas além de ter sido mãe, foi esposa, e mulher que defendeu os seus sonhos e sempre se manteve com a mente ativa e as idéias atualizadas. Quando jovem, era um dos membros do partido comunista e as reuniões eram feitas em sua casa. Quando se tornou uma anciã, não viu o tempo passar, não se queixava de suas limitações, nem de doenças embora as tivesse. Lia todos os dias os jornais e quando ía visitá-la estava sempre com um sorriso nos lábios e com um montão de histórias para contar.
Um outro exemplo que tive em minha vida foi o meu avô. Morreu com 86 anos, mas era um homem com extrema vitalidade. Depois de ter criado sete filhos e de ter ajudado a sustentar um montão de parentes, manteve na velhice uma vitalidade exemplar. Cuidava de sua saúde e mantinha sua mente e seu corpo sempre ativo. Foi um homem sempre atento e por isso conseguiu aprender com todas as suas experiências. Tinha um espírito jovial e gostava muito de contar o seu passado, as suas estórias e a sua sabedoria. Às vezes, convivemos com essas pessoas fantásticas ao nosso lado e não damos o seu devido valor, simplismente porque essas pessoas mais experientes, não usam o tênis da moda ou não freqüentam mais os lugares que freqüentamos. Muitos acham que os idosos são "velhos" que já estão passados como uma fruta que caiu do pé e apodreceu.
Iniciei o meu artigo falando sobre a longevidade e terminei falando sobre os idosos, porque quem não morre jovem, se torna idoso, ou velho como queiram definir. Senti um frio na espinha quando pensei que apesar de não ser apegada a esse mundo, será que estaria preparada para a morte? Quando morremos, às vezes não temos tempo de dizer adeus às pessoas que amamos e deixamos tudo o que temos por aí. É sempre assustador pensar nisso. Por isso não cabe aqui um conselho meu de como se deve viver ou como se deve envelhecer, pois cada um possui as suas oportunidades e as suas limitações. Mas uma coisa eu sei: mesmo que a gente não consiga levar a vida que desejemos, é sempre válido estar em constante intimidade com os nossos pensamentos e sentimentos. Ninguém terá um fim igual, mas a finalidade da nossa existência é estar sempre em sintonia com um Poder Superior como cada um o conceba, com nós mesmos e com o nosso próximo. A vida é muito mais que acumular riquezas, poder, ou sobreviver... Fica minha reflexão!

Um abraço a todos!
Erika Men


segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Ratatouille

"Vivendo em uma fazenda no interior da França, Remy não se conforma com o comodismo de sua comunidade. Sendo ratos, eles vivem de roubar comida podre dos lixos, enquanto o jovem roedor de paladar e olfato apurados sonha em ter acesso aos mais requintados pratos da gastronomia francesa. Um acidente faz com que Remy se perca de sua família. Ele acaba indo parar em um local distante de tudo o que conhece, tendo como companhia apenas o espírito de Gusteau, um grande chef de cozinha, autor do livro preferido do rato: Todos Podem Cozinhar.Logo, o roedor descobre que está em Paris, próximo ao famoso restaurante de Gusteau. Lá, ele conhece Linguini, um desajeitado faxineiro. Remy sabe cozinhar, mas não pode por ser um rato, Linguini é humano e quer ser cozinheiro, mas é um desastre com as panelas. Juntos, porém, eles vão surpreender todos com pratos incríveis, que fazem jus ao tradicional restaurante. No entanto, eles terão muito trabalho para driblar o chef Skinner e a bela Collete, além de ter de convencer o mal-humorado crítico Antom Ego de que os pratos são realmente bons. E Remy ainda terá de decidir entre sua vida com os humanos ou com sua família e amigos.Ratatouille é o nome de um prato camponês, e a palavra quer dizer simplesmente "comida". O filme foi dirigido por Brad Bird, responsável por Os Incríveis. Para tornar o filme mais realista, o diretor pesquisou diversos restaurantes e a equipe chegou a criar, de verdade, 270 pratos diferentes. Na versão em inglês, o veterano Peter O´Toole faz a voz do crítico Ego. No Brasil, Samara Felippo faz Collete e Thiago Fragoso interpreta Linguini."
Aluguei o filme para assistir com o meu sobrinho. Acabou que eu e o meu marido gostamos mais do que o menino, principalmente porque o filme é intelectualizado demais para crianças pequenas e até para alguns adultos. Mas a estória é bonita, muito engraçada, sensível, e cativante, sem ser piegas demais. O filme trata de várias questões muito comuns nos dias de hoje, numa sociedade competitiva e individualizada.
Um dos temas abordados é a busca pela satisfação profissional e também o dom para a coisa, mesmo quando você não possui o perfil de um profissional como é o caso do ratinho que não poderia ser cozinheiro afinal, ratos e cozinhas não combinam. As questões que envolvem o métier dos grandes chefs da culinária mundial bem como de qualquer profissão que envolva a produção intelectual como a confecção de idéias ou de um prato, é bem colocada: a soberba, o egoísmo, a individualidade a ganância a apropriação de uma idéia, enfim a competição exagerada e até selvagem por parte de colegas de trabalho. O chef Skinner dá um show à parte e representa bem o profissional invejoso e ganancioso.
Também ensina a adultos e crianças a terem uma postura mais honesta pois, todo o tempo o ratinho Remy é lembrado de que não deve roubar comida na dispensa, mesmo que seja para alimentar os seus familiares e também o valor daquele provérbio: "a união faz a força", pois sozinhos não somos ninguém.
Outro tema interessante é o da espiritualidade, porque embora o chef Gusteau, lembre o ratinho de que ele conversa com um fruto de sua imaginação, o chef-espírito possui luz própria: dá ao ratinho aulas de culinária e também apoio moral para que ele consiga vencer os seus obstáculos nos momentos difíceis durante a sua aventura.
O crítico gastronômico, monsieur Antom Ego, é realmente daqueles esnobes intelectuais que se divertem ganhando muito para arrasar a vida dos outros. Ele aproveita de seu conhecimento gastronômico para destruir a fama do antigo chef Monsieur Gusteau que acaba morrendo de desgosto . A surpresa vem no final do filme e quem protagoniza é o monsieur Ego e fica para quem for assistir! É surpreendente e emocionante! Vale a pena conferir.
Abraços a todos! Erika Zen

sábado, 5 de janeiro de 2008

Grippe : vers un vaccin à vie

Un virus A de grippe humaine vu au microscope électronique. Certaines protéines «invariantes» sont communes à toutes les souches. Crédits photo : Antoine DEVOUARD/REA

Une firme anglaise de biotechnologie annonce des premiers résultats prometteurs pour un vaccin antigrippe «universel».
La firme anglaise acambis a annoncé, jeudi, à londres, des résultats qu'elle qualifie de «prometteurs» des premiers essais cliniques sur l'homme d'un vaccin antigrippe qualifié d'«universel», autrement dit capable de protéger durablement les individus. Le Times en a fait sa une et la BBC y a consacré un long développement.
Pour comprendre la nouveauté et l'intérêt de ce nouveau vaccin, il faut savoir que chaque année un nouveau virus est responsable de l'épidémie hivernale. En effet, les virus A de grippe humaine ont la particularité de muter très vite. Résultat, le vaccin de la saison dernière ne protège pas contre le nouveau virus. La mise au point d'un vaccin durable contre la grippe constitue donc un enjeu scientifique et financier majeur pour la recherche et les grands laboratoires pharmaceutiques.
En attendant la mise au point de ce nouveau vaccin, l'Organisation mondiale de la santé (OMS) est contrainte d'identifier chaque année les deux nouvelles souches de virus A et une B, susceptibles d'être responsables de l'épidémie à venir. La préparation du vaccin traditionnel avec ces différentes souches mobilise, dans un premier temps, des équipes de chercheurs chargées de les identifier. Dans un deuxième temps, les laboratoires fabriquent industriellement le vaccin en le cultivant sur des œufs de poule embryonnés (il en faut des millions). Au final, son efficacité sur les personnes âgées est rien moins que controversée, pour ne pas dire plus.
Jeudi, Acambis a présenté les résultats d'un premier essai du vaccin sur 79 volontaires dans des centres américains. Selon la firme anglaise, neuf sujets vaccinés sur dix ont développé des anticorps contre ce vaccin d'un nouveau genre.
«Rien n'est prouvé»
Acambis a évoqué également les résultats d'un essai «préclinique» sur des furets vaccinés avec le nouveau produit, puis soumis à des doses mortelles du virus H5N1 (souche Vietnam 2004). Ses porte-parole affirment que 70% des furets vaccinés ont été protégés par le vaccin.
Depuis plusieurs années, la course au vaccin universel est lancée chez les industriels. En effet, les souches de virus A qui touchent l'espèce humaine n'ont pas que des éléments variables, elles ont aussi des protéines de surface «invariantes». D'une souche à l'autre, ces molécules sont toujours les mêmes. C'est le cas d'un petit peptide baptisé M2e, choisi par Acambis pour devenir ce vaccin «universel» et sur lequel ont travaillé des universitaires de Gand, en Belgique.
Ces derniers avaient déposé un brevet qu'Acambis a acheté. Le peptide est «collé» à une protéine du virus de l'hépatite B, et une fois injecté, il est reconnu par l'organisme comme un élément étranger, et des anticorps sont produits contre lui. «Le problème, c'est qu'Acambis ne fournit aucune preuve de ce qu'ils avancent, explique Vincent Enouf (laboratoire des virus de la grippe, Institut Pasteur, Paris). Ils ne donnent aucun détail méthodologique. On ne connaît pas la dose et l'adjuvant est secret. Pour l'instant rien n'est prouvé.» Interrogée par Le Figaro, la responsable de la communication d'Acambis reconnaît que «pour le moment aucun manuscrit scientifique n'a été soumis pour publication à un journal savant».
Les effets d'annonce sont au­jourd'hui fréquents dans le domaine de la recherche de nouvelles molécules. Cela facilite les appels de fonds auprès de financiers et donne un coup de fouet aux ac­tions cotées en Bourse.
Mais cette démarche interdit d'emblée toute analyse critique de la part de la communauté scientifique, et le public est forcé de croire les déclarations de l'in­dustriel. Cette nouvelle perspec­tive d'identifier et d'utiliser les éléments invariants d'un virus pour faire un vaccin est malgré tout formidablement porteuse d'es­­­poir : on se vaccinerait une fois pour toutes, on pourrait stocker durablement des lots de vaccins, et même se préparer peut-être plus efficacement à une pandémie attendue.

Nada de passeios com amimais sob o sol quente

Um mergulho refrescante, banho de mangueira, sorvete de frutas ou vitamina bem gelada. Quem aproveitou as opções para enfrentar o calor animal ontem no Rio foram cães, ursos, tigres e um chimpanzé.
No zoológico ou na casa dos donos, a bicharada sente no pêlo as altas temperaturas. Os que mais sofrem são os mamíferos, diz o veterinário do Zoonit, em Niterói, Thiago Muniz. O chimpanzé Jimmy toma água e vitamina gelada e faz a festa quando é dia de banho de mangueira, como ontem.
Pingüins contam com água refrigerada em Niterói e, no Riozoo, ficam em local com ar-condicionado. Diretor-técnico do Riozoo, Victor Hugo Mesquita conta que a dieta dos animais é mais leve. Frutas ricas em água, como melancia, melão e laranja, e sorvete são iguarias saboreadas por ursos e tigres.
Dona do labrador Buddy, de 5 anos, além de outro cão e dois gatos, a veterinária Márcia Abreu procura dar conforto para seus bichos. Buddy se esbalda numa tina cheia d’água, uma das gatas dorme no azulejo frio do banheiro.
Para donos de bichinhos de estimação, Márcia recomenda tosa em animais peludos. “Também não se deve passear com os cães no sol quente. O dono vai de tênis, mas o cachorro queima as patinhas”, alerta. Para gatos, a dica é deixá-los quietos no lugar mais fresco da casa. Como o metabolismo dos felinos fica mais lento, qualquer esforço para brincar vai cansá-los. Alimentar os animais, só à noite, orienta. De dia, eles podem não comer bem. E deixar água fresca sempre à disposição.