Por Ricardo Orestes Forni
“... a desinformação e as concepções erradas sobre a vida futura são responsáveis pelo temor da morte, ...” – Manoel Philomeno de Miranda.
A revista VEJA em sua edição de nº 2028, de 03/10/2007, traz uma reportagem sob o título "Despedida Feliz", com o seguinte conteúdo: “O professor de ciência da computação Randy Pausch, da Universidade Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, tem 46 anos e um câncer terminal. Seu prognóstico é sombrio. Restam-lhe apenas alguns meses de vida. No último dia 18, Pausch despediu-se de uma platéia de 400 pessoas, entre alunos e colegas da universidade, com a palestra intitulada “Como viver os seus sonhos de infância”.
Conforme informa a reportagem, Pausch foi operado de um tumor altamente agressivo no pâncreas, tendo se submetido a uma operação e a tratamentos experimentais com uma vacina, quimioterapia e radiação diárias. Meses atrás o professor recebeu a notícia de que a doença voltara. Segundo ainda essa mesma reportagem, Pausch afirma o seguinte: “O mais curioso de tudo é que não estou deprimido. Tampouco estou negando a doença – posso garantir que tenho plena consciência do que vai acontecer.”
A reportagem termina com a informação de que Randy Pausch resolveu morar na praia com a mulher e os seus três filhos, concentrando-se agora em deixar vídeos gravados para eles e fará uma despedida especial com cada um deles.
Manoel Philomeno de Miranda, no livro Temas da Vida e da Morte, psicografia de Divaldo P. Franco, 1ª edição da FEB, detalha as causas do medo da morte, dividindo-os em cinco itens: a) o instinto de conservação da vida, que constitui força preventiva contra a intemperança, a precipitação e o suicídio; b) a predominância da natureza animal que em “O Livro dos Espíritos” contém comentários de Kardec na questão de nº 941, quando afirma que “O homem carnal, mais ligado à vida corporal que à vida espiritual, tem, sobre a Terra, penas e gozos materiais; sua felicidade está na satisfação fugidia de todos os seus desejos.”; c) o temporário olvido da vida espiritual donde procede, o que, segundo Manoel P. de Miranda, esse esquecimento constitui motivo de receio da morte, em razão da falta de elementos que estruturem a confiança na sobrevivência, com o retorno ao mundo espiritual; d) o conteúdo religioso das doutrinas ortodoxas que oferece uma visão distorcida quão prejudicial do que sucede após a ruptura dos laços materiais, elaborando um mundo de compensações em graça como em castigo, conforme a imaginação dos homens vitimados por fanatismos e alucinações. Essa explicação levaria àquele que parte a um céu estático, contemplativo, indiferente para com aqueles que sofrem irremediavelmente, ou a um inferno eterno que seria a negação absoluta do próprio Deus que ensina a amar e a perdoar sempre, não podendo, Ele mesmo, ao julgar seus filhos, não aplicar Seus próprios ensinamentos, destinando-os a um céu de inércia ou a um inferno de torturas sem alternativas. Esse posicionamento de extremos no momento da morte leva à profunda angústia aquele que está partindo em direção de uma dessas duas situações. Para exemplificar bem esse fato, lembremos da mãe que merecendo o céu das tradições religiosas, ali permanecesse contemplando um de seus filhos levado ao inferno eterno. Como ser feliz no “paraíso”? Que dose descomunal de egoísmo essa mãe teria de ser portadora para conseguir a felicidade presenciando o sofrimento sem fim do filho amado condenado irremediavelmente!
Por fim, a última causa levantada pelo autor espiritual no livro citado: o receio de aniquilamento da vida, principalmente quando crêem que no cérebro físico esteja o autor dos pensamentos e nos órgãos materiais a única condição de se poder existir. Conforme coloca Manoel P. de Miranda, o homem deve pensar na morte conforme pensa na vida, porque cada dia que passa no calendário terrestre, adicionando-lhe tempo à existência física, é-lhe um a menos que o aproxima do portal da morte (destacamos).
Trocando em miúdos, a morte é a única certeza da vida. Se assim é, utilizemos a sugestão de Kardec na questão 941 do L.E. : “ O homem moral, que se eleva acima das necessidades fictícias criadas pelas paixões, tem, desde este mundo, prazeres desconhecidos ao homem material. A moderação dos seus desejos dá ao seu Espírito a calma e a serenidade. Feliz pelo bem que fez, não há para ele decepções, e as contrariedades deslizam sobre sua alma sem deixar aí impressão dolorosa.”
Para conseguir esse intento, deixamos as sugestões do Espírito Manoel P. de Miranda: “Substituir o medo pela expectativa de como será a vida mais tarde, substituir a incerteza pela conscientização do prosseguimento espiritual, deve ser um programa bem elaborado para ser vivido com tranqüilidade, no dia-a-dia que faz parte do seu peregrinar evolutivo.”
Estamos desenvolvendo esse programa?
Fonte: Revista Internacional de Espiritismo - Fevereiro / 2008.
jornalismo RBN
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Reflexão sobre o medo da morte...
O TEMOR DA MORTE
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